Uma crise de pânico é um evento extremamente desagradável
que praticamente impossibilita a pessoa, no momento da crise, de conseguir
tomar alguma atitude para aliviar seus sintomas. Além disso, a pessoa passa a
temer que outra crise venha e isso, aos poucos, vai fazendo com que o indivíduo
tenha cada vez menos liberdade. Algumas vezes sua vida passa a ser a angústia
que vem da expectativa de um novo ataque de pânico. Com certeza nenhuma pessoa
quer passar por isso!
Em minha prática psicoterapêutica eu pude observar que, no
geral, existe um fator etiológico emocional por traz das crises. Segredos
guardados, culpas antigas, muita pressão no ambiente de trabalho
(principalmente os que trabalham por metas), entre outros. Esses fatores,
quando vividos ao longo de um certo tempo, passam a ter uma força considerável
sobre nosso estado cotidiano. Mesmo que não estejamos em uma crise, não podemos
realmente sentir paz e alegria de forma serena.
O que a psicoterapia tem a nos oferecer? Como é o olhar do
terapeuta diante desta condição psicológica?
Cada indivíduo é um caso único. Não há como se prever a
profundidade do conflito emocional. Há casos em que o conflito não é tão
profundo e uma simples tomada de consciência e mudança de atitude podem
resolver. Para o leitor entender melhor, imagine uma pessoa que tem o hábito de
sempre guardar segredos. Por algum motivo esta pessoa sente que não pode
confiar nas outras e passa a viver uma vida secreta. Entretanto, há muitas
coisas que se pode contar, mesmo que isso traga (ou não) algum conflito. Mas
falta a coragem. Quando a pessoa se dá conta e procura encontrar coragem para
dizer certas coisas, boa parte da pressão que sentia se vai, da mesma forma que
o ar sai de uma panela quando se remove o pino da tampa.
Com este exemplo eu procurei dar ao leitor uma breve idéia
de que muitas vezes pode ser simples se tratar alguém com crises de pânico. Mas
é claro que nem sempre é assim. Entretanto a psicoterapia sempre irá procurar
auxiliar o cliente a se tornar consciente das forças que estão gerando as
crises. Geralmente esta consciência já traz alguma melhora, mas não se pode
esquecer que muitas vezes é necessário também construir uma nova atitude que
não mais alimente o conflito que estava causando as crises.
A culpa é um dos fatores mais complicados, pois muitas vezes
está ligada à situações importantes e que dificilmente podem ser resolvidas de
forma racional. Para essas situações eu sinto que a Psicologia Junguiana, ao
abordar a vida de forma simbólica, possui uma grande ferramenta para que essas
pessoas possam ampliar sua compreensão em relação a atitudes indesejadas do
passado.
Eu realmente acredito que muitas pessoas que sofrem de
crises de pânico não precisariam tomar medicação, mas não posso afirmar que é
assim em todos os casos. De qualquer forma, penso que elas devem procurar um
meio de serem livres em suas emoções e afetos para poderem gozar de uma vida
mais serena e prazerosa.